Palestra e Vivência no Itaim


Escrito por Daniel De Nardi
É com imensa satisfação que escrevo o primeiro texto do que acredito que será uma verdadeira revolução na cultura do Yôga. Este blog irá reunir artigos de instrutores que se aprofundam no estudo e prática da nossa filosofia e que trarão aos leitores suas vivências, possibilitando-lhes uma carona em sua evolução. Será um lugar de muita troca de experiências e aprendizado mútuo.
Quando os antigos Mestres começavam a falar de um determinado assunto, faziam questão de definir o que entendiam por tal matéria. Patañjáli fez isso, pegando emprestada uma definição da Yôgashara Upanishad e disse que Yôga é a supressão da instabilidade da consciência. Uma ótima definição uma vez que buscamos no Yôga, através da estabilidade de todos os nossos planos de consciência, conhecer aquilo que realmente somos. O Mestre DeROSE determina que Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi. Como o Yôga é algo prático e sua meta é o estado de hiperconsciência, qualquer técnica que conduza a tal estado pode ser considerada Yôga, se não conduzir, mesmo que tenha esse nome, não é.
Minha capacidade de síntese ainda não alcançou o patamar dos grandes Mestres, mas vou me atrever a fazer a minha definição de Yôga.
Antes de qualquer coisa gostaria de esclarecer que o verdadeiro Yôga – não um Yôga fitness ou religioso, mas um Yôga puro, filosófico, que atue em esferas muito profundas do ser humano – não está nem perto de ser compreendido pela ciência atual. Talvez jamais nosso conhecimento intelectual chegue ao ponto de entender esse manancial de sabedoria em forma de técnicas que nos conduzam a estados de consciência que estão muito acima da mente racional. A ciência sempre desprezou a consciência e ainda a trata como um epifenômeno, portanto dificilmente conseguirá alcançar um nível de entendimento dessa ampla filosofia.
O Yôga é por excelência uma técnica que busca revelar-nos nossa verdadeira identidade. É um processo desencadeado pelas práticas de auto-percepção e de permissão que a mais íntima consciência se manifeste cada vez mais no nosso dia-a-dia. Sinto que quando estou num período de maior constância de práticas, meu cotidiano se torna um sádhana e, se passo um tempo sem praticar, acabo por me afastar de minha consciência e me torno menos eu mesmo e conseqüentemente menos feliz.
Talvez essa felicidade seja o melhor indicador para a evolução nessa filosofia. Uma felicidade que independe de situações externas, uma felicidade que necessita ser compartilhada e que com mais sádhanas se tona cada vez mais presente em minha vida.
Yôga para mim é isso. E para você?
Obrigado pela atenção e espero mais visitas suas por aqui, para que possamos tornar esse espaço virtual um local de compartilhamento de experiências e principalmente de alegria.

Por Tatiana Marcondes
Se for feita uma comparação entre o estilo de vida da sociedade que ocorria há décadas e neste início de século, notaremos uma total mudança de comportamento, principalmente em termos filosóficos. O mundo transformou-se radicalmente em pouco tempo e isso resultou em uma grande mudança de paradigma nas pessoas. Muitas atitudes se tornaram antigas e hoje o que se vê é uma procura incessante por novas formas de relacionamento do indivíduo consigo e com o macrocosmo.
A tecnologia que se desenvolveu com muita força a partir da década de oitenta é a maior responsável pela transformação do mundo. O tempo parece andar com mais velocidade na proporção direta da rapidez com que as informações são recebidas e descartadas. O conceito da informação descartável é o supra-sumo do momento. A informação é conseguida facilmente, usada brevemente e descartada rapidamente. Isso alcançou patamares inimagináveis, com extrema veemência, principalmente na relação entre as pessoas e delas com o mundo.
Paradoxalmente o mundo iniciou a famosa globalização, estreitando barreiras, e por outro lado as pessoas começaram a aumentar seus mundos individuais e, as relações inter-pessoais se resumiram a bate-papos instantâneos pela internet.
Assim é o ser humano; quanto mais difícil é conquistar ou ter algo, mais importância se dá a isso e quanto mais fácil, menos. Como hoje o acesso à tecnologia é mais democratizado e mais simples, as pessoas não se atentam à grandiosidade que é o relacionamento entre indivíduos. Como não dispõe de tempo para dedicar-se a todos os compromissos diários, elas preferem mandar um “olá” via bate-papo instantâneo. Não há mais aquela preocupação em encontrar-se pessoalmente e trocar experiências. Alguns adolescentes de hoje namoram on-line, pois para eles é muito mais prático. Quando você se relaciona à distância fica mais simples expressar-se. A falta do contato humano gera pessoas menos preocupadas em lidar com assuntos globais e mais em apontar o nariz para seus próprios problemas.
A partir de experiências pessoais, constatei um detalhe na procura de pessoas interessadas em praticar Yôga, sobretudo na escola onde trabalho; recebemos muitos e-mails de pretendentes a alunos, no entanto, quando convertemos esse e-mail em um atendimento telefônico, o resultado é muito positivo, pois o relacionamento torna-se mais próximo, rápido e eficiente, a pessoa se sente mais confortável e segura em dedicar um momento do seu dia para visitar a escola e iniciar as suas práticas. E o mais curioso é que estas pessoas, mesmo dizendo não ter tempo para nada, ao conhecerem pessoalmente o espaço, passam a encontrar ‘buracos’ em suas agendas.
Perceba a importância de vivenciar, estar presente e trocar experiências. São as próprias pessoas que fazem do seu tempo as suas prioridades. Quando dizemos que não temos tempo para algo, estamos dizendo que não estamos interessados e que não o priorizamos naquele momento. Imagine uma situação na qual você escreve e-mails simultaneamente a conversação com amigos por mensagens instantâneas: onde está colocando sua atenção? No e-mail ou na conversação? Acredito que em nenhum dos dois, pois perde-se mais tempo mudando o foco a todo momento do que prestar atenção em cada situação separadamente.
O Yôga assim nos ensina a ter foco e saber usar o tempo a nosso favor, no entanto, o mais importante é que ele nos ensina a vivenciar cada momento e experiência. Percebe-se a riqueza em cada momento da vida quando se está atento, consciente e presente.

Mas no que mais os SwáSthya Yôgins e os Irons se assemelham é que por buscarem objetivos extremamente audaciosos visam a alta performance em tudo o que fazem. É difícil dizer se nadar 3600 metros, pedalar 180 km e depois de tudo isto ainda correr os 42km de uma maratona é mais difícil de se alcançar que a meta da filosofia indiana, um estado de consciência denominado samádhi e que representa a hiperconsciência ou mega lucidez.

Instrutores de SwáSthya Yôga e Mestre DeROSE no Fest-Yôga de Florianópolis – maio/09

Por Tatiana Marcondes
Durante a infância e a adolescência muitas das atitudes que tomamos são baseadas pela vontade momentânea e, às vezes inconseqüente, que temos de fazer algo. Com o tempo precisamos parar para traçar os caminhos a serem trilhados, pois as atitudes que tomamos têm impacto direto em nossas vidas.
O personagem Evan Treborn, do filme Efeito Borboleta, tenta mudar incessantemente suas atitudes enquanto criança, para refazer seu futuro. A cada tentativa, sua vida se transforma por completo. Esta película ilustra como nossas atitudes têm influência direta sobre nós mesmos, quem está a nosso lado e indiretamente sobre o mundo.
Outro exemplo eficaz é citado no livro Freakconomics, onde o autor Steven Levitt faz uma comparação entre a diminuição da taxa de criminalidade dos EUA na década de 90 e a aprovação da lei a favor do aborto que aconteceu em 1973. Parece-nos distante tal comparação, porém segundo pesquisas divulgadas neste livro, crianças que nascem em um ambiente familiar adverso têm muito mais probabilidade de adentrar ao mundo do crime. Enquanto nos restringimos a concluir que a taxa de criminalidade nos EUA poderia ter diminuído devido ao controle de armas ou a novas estratégicas políticas americanas, Levitt e sua visão abrangente dos fatos concluiu que a taxa de criminalidade caiu drasticamente em meados dos anos 90, pois o aborto brecou o crescimento de futuros criminosos. É menos óbvio, mesmo assim cientificamente comprovado.
Casos como este reforçam a teoria de Edward Lorenz, que diz que o bater de asas de uma simples borboleta pode causar um tufão do outro lado do mundo. A já conhecida Teoria do Caos que é citada no filme Efeito Borboleta.
Mas voltando ao início deste texto, a tendência é nos conscientizarmos mais, de tudo o que fazemos, a forma como agimos, o que falamos e como nos comportamos com o passar dos anos. A cada experiência, percebo que paralelamente às atitude que tenho uma porta se abre enquanto outra se fecha à minha frente, e apenas um fator faz mudar nossa forma de lidar com as situações; a maturidade. Apenas ela nos faz entender a importância de agirmos conforme a razão e não com a emoção, e nos faz pensar à frente, sem esperar soluções imediatas para nossos problemas. Uma atitude tomada hoje, reverbera positivamente daqui apenas alguns dias, meses ou anos, e influenciará uma, duas, centenas de pessoas, uma sociedade ou até o mundo.
Continuando o pensamento, o mais importante é o desejo de realizar. Qualquer que seja nossas atitudes, ao fazermos do nosso dia-a-dia um laboratório de estudos onde trabalhamos incansavelmente a favor de nosso crescimento e evolução, tudo se alinha, conspira-se a nosso favor, mesmo que em meio a tropeços e a recomeço, tudo flui. Portanto não se aflija, ouça Bob Marley cantar “ don’t worry about a thing, cause every little thing is gonna be alrigth” e não se esqueça de Edward Lorenz.
Os impactos sempre ocorrerão, porém quanto menos inconseqüente formos, mais resultados positivos teremos para nós, para quem nos cerca e para o universo que nos rodeia.

Respirar é algo que nos acompanha desde o momento em que saímos do ventre da nossa mãe e irá conosco até o último suspiro de vida. Não obstante, esse importante ato vital passa despercebido no nosso dia-a-dia. Mesmo sabendo que o ser humano é capaz de passar dias sem comer, horas sem beber líquido e não suportar minutos sem respirar, não damos à respiração a devida importância que ela merece.
A oxigenação do sangue que uma boa respiração proporciona é imprescindível para uma vida saudável. Para aprimorá-la, seguem algumas dicas:
1. Sinta mais o toque do ar em suas narinas;
2. A entrada do ar não acontece por uma força feita nas narinas. É a movimentação de músculos (abdominais, intercostais e torácicos) que faz o alento ir e vir.
3. Comece treinando a respiração abdominal. Deitado, coloque as mãos no abdômen e sinta que ao inspirar seu abdômen se projeta para cima e ao expirar ele baixa. Esta parte da respiração é responsável por cerca de 60% da nossa capacidade pulmonar, no entanto é desprezada por quase todas as pessoas.
Respirar é viver. Quem respira melhor, vive melhor. quem respira com mais amplitude vive mais plenamente e quem tem mais consciência da sua respiração, amplia não apenas a consciência corporal mas também a emocional e mental.
Faça bom uso das dicas e valorize mais a vida que penetra constantemente por suas narinas.