Alimentação e qualidade de vida

Post por admin no dia 19 August, 2009, às 10:59

qualidade de vida Texto escrito pela nutricionista Patricia Damé

A qualidade de vida é a conquista, resultado das nossas escolhas, de melhores condições físicas, ambientais, emocionais e psicológicas que o nosso corpo pode e deseja obter. Vejamos que coloquei aqui a palavra escolhas. E é você o sujeito principal desta escolha, desta qualidade que está sendo construída. Ao escolhermos, determinamos com o que vamos construir o nosso corpo, e em consequência, a nossa vida.

Evolução do corpo e do ambiente: a não-sintonia.

Você se veste de acordo com a última moda, anda em cidades modernas, dirige o seu carro hiperconfortável, tudo norteado pela evolução tecnológica em constante crescimento. Porém, o seu corpo digere, absorve, metaboliza, excreta os alimentos e nutrientes de forma muito parecida de como o fazia o seu ancestral da idade da pedra. O seu coração, pulmões, músculos e cérebro, fisiologicamente evoluiram numa velocidade bem menor do que os padrões externos de vida. A alimentação vem mudando numa velocidade muito superior a da adaptação do corpo humano a essa nova onda de vida. Os alimentos industrializados produzidos hoje, nos países desenvolvidos, são geralmente muito mais ricos em gorduras, açúcar e sal e pobres em fibras, vitaminas e minerais do que os alimentos silvestres consumidos por nossos ancestrais. Um padrão que não oferece um combustível adequado para a corrida intensa que realizamos a cada dia. Por outro lado, o estilo de vida moderna levado pela maioria das pessoas oferece pouca atividade física quando comparado aos nossos antepassados.
Resultado: Manifestações do corpo de que algo está errado: deformações (obesidade), falha de mecanismos importantes do funcionamento corporal (doenças cardíacas, derrame cerebral), saturação dos mecanismos de defesa e seleção do corpo (insuficiência renal, cirrose e outros problemas no fígado). E o que a vida moderna nos oferece como solução: remédios para aliviar estas manifestações e esquecermos o porquê do surgimento destes problemas.

Alimentação: Pense no que o seu corpo precisa e não no que está disponível.


A alimentação que garante a qualidade de vida é a mais adequada ao nosso corpo humano (com todas as suas características ancestrais aos dias de hoje) e não a que está disponível nos nossos arredores.
O corpo humano está constantemente em movimento, necessitando sempre de energia para manter os músculos ativos, os órgãos saudáveis, a sincronicidade desta máquina em perfeito funcionamento. A energia que o corpo utiliza vem indiretamente do sol, por meio das plantas. As plantas capturam e armazenam a energia do sol nos seus tecidos durante o seu crescimento. Quando você come alimentos derivados de plantas, tais como frutas, grãos, sementes, você obtém e utiliza a energia solar que elas armazenam. Escolhendo os alimentos mais vivos, você obtém mais energia, e, por consequência, mais disposição.

O ser humano descobriu que comer açúcar em excesso faz mal à saúde (note que eu frisei “em excesso”). O que foi feito? Desenvolvemos adoçantes que são substâncias, muitas vezes, sintéticas com o poder de adoçar 100 vezes maior do que o poder de adoçar do açúcar. O que as pessoas fizeram? Continuaram a comer em excesso estes adoçantes. O que se descobriu? Que o consumo destes adoçantes estava modificando o paladar humano e que as pessoas que tinham este consumo perdiam o paladar pelos alimento frescos e aumentavam o desejo de coisas doces, descontralando o seu centro de saciedade. Tudo isto porque o problema do açúcar não foi bem resolvido. Se o problema era comer açúcar em excesso. Resolvamos este problema, educando as pessoas a comer com moderação e de uma forma compatível com o que o corpo pode digerir e metabolizar. Me parece que criar uma substância não compatível com o metabolismo humano, só piorou o problema.
Pense agora com seria a alimentação ideal e compatível com o seu estilo de vida (não há uma regra geral para toda humanidade, cada indíviduo tem uma alimentação que se adapta melhor ao seu corpo). A fórmula é muito simples: escolha dos alimentos x hábitos coerentes. Como já vimos, a escolha deve ser feita visando incluir na sua alimentação os alimentos mais frescos e cheios de energia, ou seja, alimentos de verdade: cereias, leguminosas, frutas, vegetais (e não coisas sintéticas e processadas). Um ótimo truque é olhar para a cor do seu prato. As vitaminas e minerais provêm de alimentos muito coloridos. Se no seu prato tudo se parece, você está deixando de obter uma vasta gama de nutrientes. (e cuidado: os corantes podem reproduzir todas estas cores de que estamos falando, mais uma vez, buscando os alimentos frescos e de verdade, vocês não terá dúvidas que está comendo de uma forma saudável).

Sobre o hábito que deve nortear a alimentação a palavra chave é moderação. O ser humano moderno vêm mostrando um padrão péssimo à saúde: não ter tempo para comer. Não tendo tempo para comer, o faz com uma rapidez incrível. Assim, come sem prestar atenção, não percebendo o que comeu, o cérebro não emite sinais de saciedade e a pessoa, não saciada, quer comer mais. E assim, entramos num ciclo vicioso que resulta em todos os males que já comentei. Este fato associado à imensa oferta de alimentos e o estilo de vida de abundância, como buffets livres, restaurantes all you can eat (restaurantes americanos que oferecem toneladas de alimentos e estimulam as pessoas a comer tudo o que elas puderem), hipermercados, gera uma catástrofe corporal. Inspire-se no estilo francês de comer, de preparar alimentos de verdade e comer numa quantidade adequada, apreciando ao máximo esta refeição.

Aproveite, os alimentos são uma fonte imensa de prazer, e há uma infinidade deles que fazem bem ao nosso corpo e as nossas emoções: frutas, verduras, cereais, legumes, iogurtes, nozes, sementes, especiarias, até mesmo doces e chocolates quando consumidos com coerência garantem um estilo de vida leve e gostoso!

2 Comentários »
  1. Muito bom!!
    Parabéns pelo artigo, muito estimulante!!

    Comment by Gabriela - Método DeRose Rio Branco/RS — 8 de October de 2009 @ 12:33


  2. Parabéns pelo texto! Eu cheguei aqui através do blog do instrutor Julio Simões.

    Abraços

    Rogério Chimionato
    http://www.yogacentrocivico.org/blog
    Curitiba/PR

    Comment by Rogério Chimionato | Espaço Cultural Centro Cívico — 17 de October de 2009 @ 17:21


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