Por Daniel De Nardi
Os mudrás – gestos do Yôga – são a primeira ferramenta que o iniciante tem acesso dentro do ady ashtanga sádhana. Dependendo do objetivo podem ser classificados como reflexológicos, simbólicos ou magnéticos.
Reflexológicos: Quando estão associados a algum estado de consciência específico. Por exemplo, o Shiva mudrá, que produz, mesmo no praticante iniciante, introspecção e identificação com as origens do Yôga.
Simbólicos: São os gestos que simbolizam algo, como um animal ou algum ser mitológico. São repetidamente usados nas danças indianas para ilustrar melhor as histórias que a bailarina conta com seus movimentos. É o caso do Brahma mudrá, que simboliza Brahma, o criador, ou mayura mudrá que representa um pavão e muitos outros.
Magnéticos: Quando os gestos observam o magnetismo da natureza. Como o jñaná mudrá que de dia é feito com as palmas voltadas para cima e a noite para baixo.
A maioria dos gestos possui apenas um desses aspectos, mas há aqueles que abrangem os três aspectos. Por exemplo, o Shiva mudrá que é reflexológico, como já foi explicado, simbólico representando Shiva e também magnético por respeitar a polaridade dos corpos dos homens e das mulheres sendo feito de maneira diferente para cada pessoa dependendo do sexo.
OS CÓDIGOS DAS EGRÉGORAS
Todo o agrupamento humano possui códigos peculiares. Os artistas os têm, os músicos também, os bebedores de vinho, os atletas, os cientistas, os ricos, os intelectuais, enfim se existe mais de duas pessoas com o mesmo propósito, ali há trejeitos específicos daquela egrégora. Conhecê-los, é uma inteligente atitude para quem deseja se desenvolver mais rapidamente em algum assunto. Ao experimentar esses códigos subliminares das pessoas que são melhores que você no que você deseja se aprimorar, você passará a pensar mais claramente sobre o assunto e extrair aprendizados que passam despercebidos por aqueles que não conhecem tais códigos.
Por exemplo, se um experiente investidor lhe diz que a melhor hora para comprar uma ação é no início da LTA, caso você não conheça esse termo, a dica passará batida e em poucos minutos você a esquecerá. Mas, se reconhece os códigos dos investidores do mercado financeiro sabe que LTA significa linha de tendência de alta e o que ele quis dizer foi que o melhor momento é quando o mercado pára de cair e inicia uma troca de tendência. Por saber este jargão, você pode ir para frente do computador, analisar os gráficos e ver se o que ele falou se comprova na prática. Caso positivo, a partir de uma frase despretensiosa, você pode tornar-se milionário, só porque conhecia os termos desse grupo de pessoas.
Os mudrás são o primeiro código dos yôgins que o praticante trava contato. Quando profundamente vivenciados, se tornam um catalisador de evolução, pois colocam o praticante em contato direto com a sabedoria que está acumulada no setor do inconsciente coletivo que está o Yôga.
Podemos criar uma analogia com uma visita à uma imensa biblioteca que armazena todas informações dos seres-humanos desde de seu aparecimento na terra. Imensos portais protegem a sabedoria dos simples curiosos. Ao encontrar a que possui – o conhecimento desta milenar filosofia – após de tentar entrar e ver que a porta está trancada, uma voz de um ancião lhe pergunta – Qual a senha? – E você mostra o shiva mudrá, a porta se abre e agora você tem acesso a esse manancial de conhecimento.
Claro que se o praticante se limitar a execução dos gestos, não continuará avançando.
Eles são apenas o primeiro passo, a chave para acessar os setores do inconsciente coletivo onde estão armazenados os conhecimentos dos mestres ancestrais. Após a vivência dos gestos, o praticante que quer se aprofundar mais, precisa conhecer os outros hábitos dos yôgins, tais como alimentação, tipo de leitura, forma de se relacionar com as pessoas, etc. Esses códigos mais comportamentais são aprendidos apenas através da convivência com yôgins mais antigos e contribuirão ainda mais com o desenvolvimento do praticante.
AS MÃOS E A EVOLUÇÃO
A importância das mãos no desenvolvimento humano nunca recebeu a atenção que merece. Lembremo-nos que não foi nosso cérebro que espontaneamente aprimorou suas funções e nos fez mais inteligentes que os outros animais. O processo foi inverso, começando quando ensaiamos movimentos mais elaborados com nossos dedos, principalmente o polegar. Isto produziu a necessidade de associações neurológicas também mais aprimoradas. A partir daí nossas sinapses se desenvolveram e possibilitaram a criação de ferramentas para caça, pesca e outras necessidades, posteriormente toda a civilização como conhecemos hoje.
Intuitivamente, os antigos sabiam da importância das mãos no desenvolvimento humano, e não foi por acaso que colocaram os mudrás – a ampliação da consciência das mãos – como primeira parte da prática. Se o Yôga tem como meta a evolução de 1 milhão de anos em uma década, nada melhor para isso do que usar uma atitude que já deu certo no passado, dar mais valor e depositar mais consciência nas mãos.
O SURGIMENTO DO YÔGA A PARTIR DO MUDRÁS
Talvez o Yôga tenha surgido a partir dos gestos. Pode-se imaginar Shiva, após se deparar com um deslumbrante pôr-do-sol sendo profundamente tocado por aquele momento. Sua aguçada sensibilidade, o fez desfrutar daquela belíssima paisagem com todo o seu corpo. Sentado, espontaneamente sentiu necessidade de marcar aquele momento com algum movimento, talvez, um gesto. E assim o fez. Registrou o estado de consciência, para que sempre que quisesse reviver aquela magnífica experiência poderia usar o gesto como recurso.
Após a experiência, o bailarino começou a perceber que pequenas modificações nos dedos o remetiam a outros estados de consciência e também a forma como a energia percorre nosso corpo e que determinados gestos possibilitam a manipulação dessa energia. Também começou a colocar mais atenção nos gestos quando fazia sua dança e a melhorava mais e mais. Por fim, descobriu a interferência dos gestos na supressão da instabilidade da consciência e meditou. O resto é historia ou mito…