A arte de contemplar a vida

Por Daniel De Nardi
A contemplação é um ato que acompanha o ser humano desde tempos remotos. Os povos sedentários – que habitavam um único terreno e nele permaneciam por muito tempo – possuíam este importante hábito. Uma vez que não pretendiam se deslocar, dispunham do tempo que precisassem para se deslumbrar com as maravilhas do mundo.
Observando por um longo período tudo o que estava à sua volta, os antigos conseguiam atingir uma percepção mais aguçada do Universo. Pois chegar à essência das coisas depende de muita atenção focada sem ser influenciado por qualquer outro estímulo.
A cultura da contemplação começou a ser prejudicada a partir do momento em que os povos nômades foram ganhando mais espaço na Terra, entre 4400 e 2900 a.C. época em que os agricultores da Mesopotâmia, Egito e Noroeste da Índia sofreram três invasões de pastores das estepes ou povo Kurgo. Estabelecendo-se nos locais apenas o tempo em que as reservas naturais preenchessem suas necessidades, esses ambulantes não pensavam no longo prazo, seja para construir uma civilização ou muito menos para gerar riquezas e tecnologias. Preferiam adotar uma atitude mesquinha de tomar dos que não eram exímios na arte bélica. E foi justamente essa necessidade de deslocamento dos povos o primeiro motivo que fez a pressão do Tempo interferir em nossas atitudes cotidianas.
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